Natural
Ela despertava cada sentimento maluco, cara, dava vontade de tocar o rosto, beijar, ficar olhando o sorriso, em transe, hipnotizado com a candura. Mas também despertava um ódio, meu, era muito doido, às vezes dava vontade de bater nela, sem parar, pra que deixasse de provocar o surgimento de um redemoinho em meu coração. É muito maluco, eu me sentia tão incoerente. Ela não fazia nada pra me atormentar, só dizia umas coisas, que eram da mente dela, mas mexiam tanto comigo, eu tinha vontade de dizer para de pensar, isso pode te tirar a paz, a serenidade. Ela continuava suave, em mim era que os sentimentos se revolviam quando falava certas coisas. Pra ela parecia natural, como uma criança naquela fase chata dos porquês, com curiosidade em relação a tudo, questionando, questionando, sem que a gente saiba o que responder. Mas eu queria tanto bem a ela, gostava tanto de vê-la sorrindo, que sentia raiva quando a via ensimesmada, com cara de quem tá pensando um monte de doideira. E me perguntava como pode eu querer bem e sentir raiva, sem ela fazer nada demais, só por deixar de ser deslumbrante por uns momentos. Eu me sentia agoniado ao vê-la chorando, mas tinha satisfação em fazê-la chorar. Era muito esquisito, saber que chorava por minha causa, magoada, extremamente sentida, me dava prazer. Eu me sentia significativo quando ela chorava por minha causa, cara, me sentia importante pra ela, mais do que quando conseguia fazê-la sorrir. E eu vivia tentando fazê-la sorrir. Nem sempre sorria. Sempre chorava quando a ofendia. Estava ficando maluco com o que despertava em mim, por isso me afastei, sem me despedir. Sei que ela sofreu. Não consigo esquecer. Quero muito saber se ainda pensa em mim.
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