O que quer?
Pra que quer saber se lembro de você? Ainda se importa comigo? Depois de todo esse tempo sem nos vermos ainda quer que eu esteja chorando por sentir sua falta? Não é se dar importância demais, ir embora sem dizer adeus, depois voltar pra continuar como se a vida tivesse ficado parada, aguardando sua decisão? Por que pensa que eu aceitaria, só porque nunca escondi meu amor?
Até simpatia eu fiz. Fervi dois litros de água com três pétalas de rosa vermelha e cinco gotas do meu perfume preferido, aquele que você elogiava quando eu usava e não parava de me cheirar, principalmente perto da orelha, me deixando arrepiada. Esperei amornar e, depois do banho, despejei no corpo a poção, do pescoço para baixo. Sequei-me com cuidado, como indicado, mentalizando que o nosso romance se firmaria, e nada nos faria infelizes.
Mas não deu certo. Todos me diziam pra não mostrar demais o que eu sentia, porque você não valorizaria. Eu discordava, o amor deve ser explícito, rebatia aos conselhos para conter as demonstrações de quanto o amava com intensidade, numa entrega total. Ingênua, foi uma fase bastante ingênua em meu viver. Lúdico, tudo muito lúdico em cada ato meu. Você não valorizou, me fez sentir que amar é dolorido. Dolorido sim. Dói aqui, ó, bem dentro do coração da gente. Agora prefiro quando ele fica fechado, sem dar sinal nenhum de sentimento, do que quando se abre pra vida pra me fazer sofrer.
Ao menos dizer adeus após viver um amor que se encerra. Adeus, não há mais como seguir amando, isso devia ser uma obrigação de todo ser que ama alguém. Ficar no vazio, sem saber o que exatamente causou o fim, é doído demais, só quem já passou por isso entende. A vontade é de nunca mais amar, porque não se sabe se pode confiar, fica uma sensação de que de repente a pessoa pode sumir. É angustiante. A gente só quer esquecer.
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