quarta-feira, 25 de janeiro de 2012




Não me toque

Não gosto que fiquem me pegando, passando a mão em mim, por me acharem uma garota legal, admirável. As pessoas querem fazer carinho quando nos acham simpáticas, gentis, bem educadas, e sinto repulsa do toque delas, em qualquer parte do meu corpo, como se tivessem o direito de me alisar por despertar nelas algum tipo de alegria.

O brilho nos meus olhos não significa permissão para colocarem mãos sobre mim. Não estou disponível a pegação por ser de bem com a vida. Meu sorriso não é permissivo a ofensas ou abusos. Não sou mais criança, já posso gritar ao me sentir molestada: Afaste-se, não quero esse carinho libidinoso.

Não precisa acariciar meu rosto pra sentir que sou bacana. Não ponha a mão para saber se a pele é sedosa, não encoste os dedos para sentir a maciez dos cabelos. Não me toque de um jeito suspeito, querendo obter satisfações não consentidas, por se achar em posição superior. Não suporto essa invasão em meu corpo.

As lembranças são assustadoras. Elas retornam com frequência e eu me sinto desprotegida, mesmo tendo a consciência de que já posso me defender. Não confio em abraços amigáveis, as intenções não são amistosas. Um simples toque me põe alerta, com vontade de fugir antes que seja tarde. Ninguém entende. Mas não me incomoda mais que não entendam.
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